Como escolher uma escola para o seu filho ou filha?

Esta é uma pergunta que tem aparecido cada vez mais cedo na cabeça das mães e pais hoje em dia, afinal, quem não quer garantir uma educação de qualidade para os seus pequenos?

Nosso objetivo com este artigo é levantar alguns pontos de reflexão importantes que ajudem as famílias nesse processo. Para isso, daremos 5 dicas, que vão além do “faça isso” ou “faça aquilo”. Na verdade, elas partem de perguntas que costumamos ouvir e não estão em ordem de relevância. 

1- Pense na distância entre a escola e a sua casa

Este é um ponto importante por dois motivos: o tempo de deslocamento e a vida social da criança. Se nenhum adulto gosta de passar muito tempo dentro do carro, no trânsito, imagine uma criança. Grandes períodos dentro do carro ou da perua escolar, na rotina de uma criança, podem gerar stress, além da perda de um tempo importante, que poderia ser usado para brincar, por exemplo. 

Além disso, as crianças passam a ter uma vida social que envolve festas de aniversário, frequentar a casa de amigos e chamar amigos para brincar na sua casa. Quando uma criança mora muito longe da escola, isso fica mais difícil, visto que a maior parte dos alunos mora nos arredores ou em bairros próximos à escola.

2- Analise seu orçamento e leve o preço da anuidade, uniforme e material em consideração

Sabemos que nem sempre a escola ideal possui uma mensalidade que cabe no bolso das famílias. Isso sempre precisa ser ponderado: será preciso fazer algum corte no orçamento? Será que vale à pena? Lembre-se de que, muitas vezes, ainda temos que contabilizar o preço das atividades extracurriculares, como natação, aula de esporte ou inglês. Algumas escolas possuem este tipo de atividade no currículo, outras oferecem com pagamento extra e ainda há escolas que não oferecem nada. Pense em como você vai querer organizar a vida da criança como um todo, mesmo que isso não vá acontecer naquele ano exatamente, para escolher uma escola cujo valor vá estar dentro do que é possível!

3- Tente descobrir as afinidades que você tem com linhas pedagógicas e abordagens

As famílias são diferentes, pensam de maneiras diferentes e isso é natural e saudável. No entanto, é preciso que haja uma coerência mínima entre a filosofia da escola e os valores da família.   Isso significa que, se você se considera mais firme e rígido, o melhor seria, por exemplo, uma escola tradicional. Se você considera o conteúdo formal muito importante, busque uma escola mais “conteudista”. Por outro lado, existem famílias que dão mais importância para o trabalho integrado com as diferentes linguagens, para a construção da autonomia da criança e para as relações. Neste caso, seria melhor uma escola construtivista, por exemplo. Existem ainda as famílias que fazem questão da educação bilíngue e dentro deste tipo de escola aparecem também diferenças de abordagem e tempo curricular que precisam ser analisadas. 

Daremos abaixo alguns exemplos de abordagens e metodologias para que vocês entendam:

Pedagogia Tradicional

Numa perspectiva tradicional, o ensino é centrado no professor, que é o responsável por administrar o conteúdo e transmiti-lo aos alunos. O conteúdo, por sua vez, é aquele acumulado pelo tempo, que os alunos recebem como verdades, pautado em fatos e informações. Nesse tipo de metodologia, é esperado que os alunos “absorvam” o que é ensinado por meio de aulas expositivas, além de resolver exercícios muitas vezes centrados na cópia e na repetição. 

Pedagogias Ativas

As pedagogias ativas são abordagens ou metodologias que colocam a criança no centro do processo de aprendizagem e o professor sai do papel de transmissor de conhecimento, assumindo a função de criador de situações de aprendizagem. Além disso, todas elas trazem a importância do desenvolvimento da autonomia dos alunos e da reflexão. 

A abordagem construtivista e sócio-construtivista, que têm como base os pensamentos de pesquisadores como Piajet e Vigotski, contribuiu fortemente para mudanças importantes na maneira como pensamos a educação. Isso aconteceu porque estes autores se opuseram, cada um com suas pesquisas, a teorias que defendiam que o conhecimento é inato e que o indivíduo é uma tábula rasa na qual se deposita o conhecimento por meio de repetição e memorização mecânica. Em contrapartida, propuseram uma nova visão, que começa com uma grande mudança: a criança possui informações ou experiências importantes de serem consideradas no processo de ensino e aprendizagem. Nessa perspectiva, inclusive, ensino e aprendizagem são ações que se integram como partes de um mesmo processo, portanto, quando se pretende ensinar algo, é necessário considerar aquilo que a criança já tem construído a respeito do assunto, assim como as estruturas cognitivas que dispõe para assimilar a informação, como reage  a essa situação, como está sua convivência com as pessoas que circulam no ambiente, como participa das propostas etc. Ou seja, existe uma complexa relação entre o ensino, a aprendizagem e o objeto a ser ensinado que não pode ser deixada de lado, porque é a partir dela que o conhecimento será construído.  

Hoje em dia muitas escolas também definem que seu trabalho pedagógico é baseado em Projetos, isso significa trazer propósito e motivação para o processo de aprendizagem, visto que o foco é produzir algo. A aprendizagem acontece na troca de experiências e por meio da pesquisa, da resolução de problemas e do registro. Nos Estados Unidos, este tipo de escolha pedagógica vem ganhando força agora como PBL (Project Based Learning), mas essa linha de trabalho não é novidade no mundo. Desde a década de 90 e início dos anos 2000, autores como Fernando Hernández e Delia Lerner, por exemplo, trazem esta ideia, mas cada um com suas variações. Em algumas linhas, o projeto vem do interesse do grupo, em outras, não. Recentemente, vemos ganhar espaço a abordagem de Reggio Emilia, que é baseada no trabalho de um conjunto de escolas da região, que fica no norte da Itália: “O sistema Reggio pode ser descrito sucintamente da seguinte maneira: ele é uma coleção de escolas para crianças pequenas, nas quais o potencial intelectual, emocional, social e moral de cada criança é cuidadosamente cultivado e orientado. O principal veículo didático envolve a presença dos pequenos em projetos envolventes, de longa duração, realizados em um contexto belo, saudável e de pleno amor.”[1]

A pedagogia Waldorf, criada pelo filósofo alemão Rudolph Steiner, tem por princípio oferecer uma educação para a liberdade, visando desenvolver, de forma holística, o físico, o espiritual, o artístico e o intelectual. O desenvolvimento da sensibilidade artística e do cuidado com a natureza também são bastante valorizados.

As escolas que seguem essa linha têm uma organização diferente quanto ao desenvolvimento dos conteúdos, mas são reconhecidas pelo MEC e seguem suas diretrizes. Durante o primeiro ciclo (que vai dos 0 aos 7 anos), por exemplo, não há atividades direcionadas para a alfabetização – isso acontece no segundo ciclo, quando começa o Ensino Fundamental. Segundo elas, a ideia é que a criança comece a aprender sobre os mais diversos assuntos conforme consiga reconhecer dentro de si as experiências para as quais está preparada para viver.

O método Montessoriano também tem o aluno como centro do processo de aprendizagem. Aliás, essa foi a grande crítica que a médica e pedagoga italiana Maria Montessori fez à pedagogia tradicional, na qual o ensino era centrado no professor. Para ela, o aluno deveria conquistar sua própria educação, conduzindo o próprio aprendizado, tendo garantidas as condições para isso – e entra aí o papel do professor. Nas escolas montessorianas, não há aulas expositivas e o espaço é preparado para que os alunos tenham bastante liberdade para construir suas aprendizagens, conforme surge o interesse. Nas salas de aula, os alunos não são dispostos em carteiras convencionais e há diversos materiais e mobiliários próprios, que favorecem os estímulos concretos (vem daí, inclusive, uma “onda” de decoração com móveis em “estilo montessoriano” para crianças pequenas). No Brasil, há muitas escolas montessorianas que realmente seguem o método criando por Maria Montessori – há também aquelas que se inspiram na pedagoga italiana para criar um método próprio. É preciso ficar atento a isso na hora de conhecer e escolher a escola! 

4- Reflita sobre a organização da rotina da sua família como um todo (incluindo o trabalho dos adultos etc.)

Este ponto já foi abordado no primeiro item, mas acreditamos que é preciso também tomar decisões como: quem leva e quem busca a criança na escola? É claro que a perua escolar é sempre uma boa solução, mas é interessante que as mães e/ou pais possam, pelo menos algum(s) dia(s) da semana, aparecer na escola para conversar com a professora, saber o que está acontecendo na sala de aula e, principalmente, compartilhar com a criança o momento. Conforme as crianças vão crescendo, a necessidade dessa presença vai sendo minimizada, o que é natural. 

De qualquer maneira, é importante que a família tente garantir pelo menos uma refeição por dia juntos, por exemplo. Outro ponto importante é a lição de casa, quando as crianças crescem. Muitas vezes, nossos filhos precisam de ajuda ou simplesmente querem compartilhar alguma descoberta! A presença dos pais e mães na rotina, dando atenção e suporte, é muito importante. Sabemos que muitos trabalham, não têm tempo, mas os rearranjos possíveis precisam ser um ponto importante de reflexão. 

5- Tenha em mente que esta não é uma decisão fechada e não precisa ser dolorosa e “pesada” 

Temos visto muitos pais e mães angustiados com a escolha da escola dos filhos quando eles ainda são muito pequenos, como se essa fosse ser uma decisão para a vida toda ou que guiará o sucesso ou fracasso de um indivíduo. 

Sabemos que o mundo está mudando muito, as profissões também. Aliás, grande parte das profissões que irá existir daqui a dez anos ainda não existe. Cada vez mais tem se pensado na importância das relações humanas e do desenvolvimento emocional, o que precisa estar dentro da escola, mas muito mais dentro de casa. Não é saudável passar uma ansiedade para as crianças nesse sentido. 

Uma criança precisa brincar, se desenvolver no seu ritmo, com respeito e afeto. As relações humanas, nesta era digital, tornam-se mais importantes do que nunca. Levar a escolha da escola com leveza é o melhor que podemos fazer! Além disso, a escolha de uma escola não precisa ser definitiva – sempre há a possibilidade de mudança, caso a criança não se adapte. 


[1] Edwards C., Gandini L., George F., AS CEM LINGUAGENS DA CRIANÇA: A ABORDAGEM DE REGGIO EMILIA NA EDUCAÇÃO DA PRIMEIRA INFÂNCIA, v1, Editora Penso

Publicado por:blogleromundo

Somos especialistas em alfabetização e pedagogas. A Bruna também é psicopedagoga e a Paula é escritora.

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