Será que precisamos nos preocupar com a alfabetização na educação infantil?

Bruna Cardoso, especialista em alfabetização e cofundadora da Plataforma Ler o Mundo, faz uma ressalva: “Precisamos ampliar o conceito de alfabetização entendendo que não é preciso forçar crianças pequenas, mas sim contextualizar a leitura e a escrita na vida delas. O mais importante nessa fase é bem simples de ser feito: trazer a leitura e a escrita para o dia a dia, com utilidade e diversão”. 

Para isso, temos 7 dicas que irão ajudar a refletir sobre alfabetização na Educação Infantil:

alfabetização na educação infantil

1-    Mostre a função dos textos escritos no mundo

·      A escrita está presente no mundo, na nossa rotina. Para que as crianças se sintam motivadas a aprender é preciso mostrar a função desses textos na nossa vida!

·      Leiam juntos as placas que estão nas ruas ou pesquisem uma receita de bolo, por exemplo.

2-    Dê chance para a criança escrever livremente, da maneira que ela consegue

·      As crianças aprendem experimentando. Experimentar escrever da sua maneira é muito importante. 

·      A criança, quando diferencia a escrita do desenho, por exemplo, já dá um grande passo!

·      Aos poucos, conforme o interesse for crescendo, a criança pode começar a se interessar por escrever seu próprio nome, isso é muito bacana e tem a ver com identidade.

3-    Se a criança tiver curiosidade, ajude-a a conhecer as letras do alfabeto e os nomes das pessoas próximas por escrito

·      Conforme a criança for se interessando em conhecer as letras para escrever seu próprio nome, ela pode também querer saber sobre como se escreve os nomes das pessoas mais próximas, ofereça os modelos para que ela possa copiar (da maneira que conseguir).

4-    Leia literatura todos os dias e tenha um cantinho com livros que a criança consiga acessar

·      Entenda o momento de leitura de livros infantis como uma oportunidade para estar junto, compartilhar afeto e tempo. Por mais que o adulto esteja lendo, entendemos que a leitura está sendo compartilhada, ou seja, a criança está lendo também. 

·      Escutar alguém lendo é ler junto. 

·      Crie um momento de leitura na rotina da família. Este momento pode ser a qualquer hora do dia! Muita gente gosta de fazer a leitura na hora de dormir, mas isso não é uma regra. Veja o melhor horário para a SUA FAMÍLIA! O local onde a leitura vai acontecer também é importante, quanto mais aconchegante, melhor! Vale lembrar que o colo também pode ser considerado um lugar de ler.

·      Crie um cantinho da leitura em casa com alguns livros disponíveis para a criança manipular e “ler” sozinha quando quiser!

5-    Faça brincadeiras culturais com músicas que contenham rimas e repetição de sons

·      As músicas e brincadeiras que envolvem parlendas, trava-línguas e cantigas fazem parte da vida das crianças há muitas gerações, não é? 

·      Usar textos como parlendas e cantigas infantis durante a alfabetização faz bastante sentido por causa da importância da sonoridade dessas estruturas, que são cheias de rimas e aliterações, por exemplo. Esses recursos auxiliam na aquisição da consciência fonológica, que é, grosso modo, a habilidade que temos para perceber a diferença entre os sons da língua, de maneira a conseguir articulá-los na fala e na escrita . O desenvolvimento dessa consciência (muito atrelado à sonoridade das palavras, dos versos etc.) fará bastante sentido ainda em outras fases do processo de aprendizagem da criança, como no momento em que ela tiver que pensar em letras que representem os sons das palavras que quer escrever.

·      Tudo isso, é claro, brincando, cantando e vivendo a aprendizagem inserida nas atividades da infância, como não pode deixar de ser!

·      Não é à toa que as cantigas passam de geração para geração! Além de ser uma forma de perpetuar a cultura, elas são a base do repertório da criança! Por isso, brinquem e cantem muito, mas façam isso sem exigir respostas, sem pedir repetição mecânica. Os sons entram e saem naturalmente nestas brincadeiras e canções!

6-    Use e abuse das interações familiares

·      As crianças podem se desenvolver muito com as interações familiares. A Plataforma Ler o Mundo, por exemplo, possui um curso sobre como as famílias podem começar a participar da alfabetização das crianças no dia a dia, sem estresse, nos momentos de folga.

7- A escola é muito importante!

O fato de trazermos aqui dicas para as famílias não significa que isso substitui a escola, pelo contrario, a escola é importantíssima. Lá a criança irá fazer outras inúmeras atividades, que, atreladas aos estímulos familiares, constróem uma experiência de aprendizagem completa, envolvendo as interações e os propósitos didáticos dos professores, isso é insubstituível.

Uma ressalva importante:

Perceba que não estamos falando em aceleração do processo de alfabetização e sim de um olhar mais abrangente para este processo tão bonito e importante na vida de qualquer pessoa!

  • Muitas crianças privilegiadas vivem isso tudo o que trouxemos de maneira natural em casa.
  • Muitas podem passar a viver, a partir do momento que a família percebe a importância disso.
  • Mas, por outro lado, inúmeras crianças não possuem a chance de viver uma parte da alfabetização em casa por conta do contexto familiar, nesses casos a escola é ainda mais importante.

Venha conosco!

Você gosta de histórias, certo? Venha escutar as mais de 40 histórias para ler o mundo que temos na plataforma gratuitamente!

Publicado por:Bruna Cardoso e Paula Strano

Somos Bruna Cardoso e Paula Strano, as idealizadoras do Ler o Mundo. Como educadoras especialistas em alfabetização, já acompanhamos o processo de aprendizagem da leitura e da escrita de muitas crianças e sabemos o quanto a família e a escola são importantes nessa fase. Por isso, pensamos que uma boa maneira de ajudar mães, pais e educadores seria criar uma plataforma que traz tudo o que eles precisam saber: como funciona esse processo na vida das crianças, com dicas de atividades e um pouco da teoria que nos fundamenta. Nossa experiência como professoras está presente em cada palavra, assim como nossas trajetórias de vida, pois Bruna é também psicopedagoga e mãe de Helena (10 anos), Cecília e Matteo (7 anos), e Paula é especialista em produção de texto e escritora de literatura infantil.

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